30 de jun de 2008

Desilusão

RED FISH -Foto de Anna Fracassi in (http://xupacabras.weblog.com.pt/)

Não sei o que está acontecendo. Também não sei se quero saber. O fato é que nosso país, assim como outros na América Latina, passou por momentos muito difíceis a pouco tempo atrás. Não era permito falar o que pensávamos, cantar o que queríamos, lutar pelo que achávamos certo. Hoje temos em lei (ao menos) esses direitos assegurados. Tudo o que temos hoje, foi graças a luta de pessoas que não aceitavam a situação como estava, pessoas que foram mortas, pessoas que foram torturadas e que hoje são tratadas como qualquer um. Como se não fizesse diferença. Como quaisquer, como eu, que não vivi esse período tão triste e devastador de nossa história.

Cresci engajada nos movimentos políticos. Buscando da minha forma, já que não vivi a Ditadura Militar, melhorar os níveis sociais que podia, colocando e lutando para colocar, pessoas que não disseminassem o medo nem a submissão, no poder. Pessoas essas, julgando eu, que mudaria de uma vez por todas o sistema hipócrita e ridículo do coronelismo e currais eleitorais. Pessoas que eu acreditava serem dignas, dotadas de valores, que não fizessem ser esquecidas as histórias dos que lutaram por nós, e que me mostraria que essa luta (a deles e a minha) teria valido a pena.

Mas, alguém (não me lembro quem) já disse uma vez: "Quer conhecer um homem, dê poder a ele". Não sei o quão cegas as pessoas podem se tornar dependendo o tanto de poder que detêem. O que sei é que acreditava que a Esperança venceu o medo, quando me dei conta que o medo só renasceu e as pessoas que lutavam foram renegadas e os mesmos hipócritas assumiram o governo vermelho. Não é mais vermelho. Não tem mais ninguem d vermelho! Os Ditadores, coronéis e generais estão de volta... disfarçados de mocinhos. Vestindo estrelas. Quando os militantes se esquecem e vão sendo esquecidos, desitem.

Não quero isso pra mim, nem pra meu estado, nem pra meu município. Mas agora não basta eu querer. As pessoas ainda estão com medo. E a esperança acaba de entrar em coma profundo. Estou completamente, absolutamente desiludida. Sinto-me presa, sem ar, afogando. É muito triste ter que dizer, mas o MEDO vence mais que o bem.


Tainã Alcântara

28 de jun de 2008

Inacreditável




Veio assim de mansinho

Como quem nem queria nada

Fui levando na brincadeira

e quando menos esperei

Já estava completamente encantada


Com um sorriso lindo

Um jeito descarado

Um olhar penetrante, desconcertante

Capaz de me fazer perder a noção do tempo

Me pego pensando em nós dois

Sempre

Todos os dias

E quando te vejo
tenho a certeza
"que a vida é cheia de surpresas,
e a mais linda que ela me apresentou foi você!!!"


Tainã Alcântara


Meu Deus

Vanessa Da Mata

Um homem bonito assim
O que quer de mim
O que ele fará comigo?
Um homem bonito que planos
O que Deus me deu
E que ele fará com os seus
Braços de amansar desejos
Boca de beijo
Corpo de tocar
Meu coração muito tonto
Quer sair de mim

Olhos flechando meus zelos
Bem que o meu corpo já me mostrava
Tentação das mais safadas
Sem dor sem penar

Meu Deus, Ave Maria!
Se ele não é um dos Seus
Ninguém mais seria
Ninguém mais seria

Um homem bonito assim
O que quer de mim
O que ele fará comigo
Um homem bonito que planos
O que Deus me deu
E o que ele fará com os seus
Braços de arrancar desejos
Olhos de gato
Sabor de hortelã
Meu coração muito louco
Quer chegar-se em mim

Olhos flechando os meus zelos
Bem que o meu corpo já me mostrava
Conclusão das mais safadas
Sem dor sem penar

Meu Deus, Ave Maria!
Se ele não é um dos Seus
Ninguém mais seria
Ninguém mais seria
Meu Deus, Ave Maria!
Se ele não é um dos Seus
Ninguém mais seria
Ninguém mais

15 de jun de 2008

Verdades Ácidas

Sharon Stone, na primeira imagem divulgada do novo Instinto Fatal 2


O Que te Resta de Esperança

Teus olhos dizem verdades
Pequenas, vãs, perecíveis
Aparecidas nos caminhos de teus passos
Enganosas, rapinas, normais
Porque eu sou a renovação
E sei ser careta nas horas certas
E porra louca demais nas que me restam
E você, fruta madura, doce e suculenta
Sabe que atrai, cedo ou tarde
Aqueles buracos
Aqueles pássaros sedentos
E você não diz mais “olha aqui fedelho”
Porque você é dor, amargura e medo
Você é criança machucando seu joelho
Agonizando à espera da mãe
E eu sou o que te resta de esperança
Aquela mão sem vícios que te acaricia no rosto
E que mexe em seus cabelos
Aquele olhar de poeta diante da musa
E que adora amores platônicos
O riso do menino na floresta
A preguiça e o prazer de ouvir o som dos pássaros

Breno Lemos


O Que te Resta de Esperança - Resposta

Olha aqui fedelho
Dor, amargura e medo somos todos
A diferença entre você e eu
É que não tenho medo de assumir quem sou
Ou o que sinto
Verdades existem várias: as suas e as minhas
E na verdade mesmo, nenhuma delas é verdadeira
As coisas que você pensa que sabe
Sobre o que meus olhos dizem
ou sobre o que meus passos revelam
São reflexos de seu mundo imaturo
Você não sabe, não consegue, compreender uma mulher
e muito possivelmente nunca será capaz de fazê-lo
Não se continuar se escondendo nessa máscara
de menino malvado
Se permita cair, machucar o joelho
chorar algumas vezes
Sinta na pele o que uma mulher sente
Se quiser algum dia pisar no coração de uma
Minhas esperanças são diversas
Não pense ser o único
Vejo como você me vê
Assustado, impreciso, metódico
O amor, a paixão ou qualquer coisa assim
não segue regras, a não ser uma
E nela, você é apenas um expectador
E eu sou o Poeta e também a musa!


Tainã Alcântara


Agora as explicações:
No mesmo esquema do texto com Melqui, isso se trata de uma relação literária! Espero que gostem!


Tainã

12 de jun de 2008

A Descoberta da Borboleta



Em minha infância, costumava sair para brincar com pessoas que até hoje são importantes para mim, mas as circunstâncias nos separaram. Naquela época, no auge de meus nove anos, nossos problemas mais difíceis se resumiam a decidir qual das várias brincadeiras que gostávamos escolheríamos no dia. Num desses vários dias minhas amigas forma em minha casa chamar a mim e minha irmã para brincar. Nesse dia tomamos um caminho diferente daquele que fazíamos sempre. Em nosso novo caminho descobrimos uma casa recém-construida, simples, muito recuada no terreno e sem um muro que a separasse a rua do jardim. Não tivemos como passar adiante sem parar para admirar tão belo espetáculo de cores e formas. Ao nos aproximarmos do maravilhoso jardim, várias borboletas voaram nos enchendo de um sentimento bom, calmo e ao mesmo tempo emocionante. Observamos por mais algumas frações de segundos e quase que instintivamente entramos no jardim brincamos como se fossemos as borboletas e estas fossem fadas guiando nossa “dança”. Ficamos lá por alguns minutos, sentindo cada segundo de mágica de nossa experiência. Até que, em consenso decidimos por deixar nosso recente paraíso descoberto e seguirmos nosso caminho. Lembro de ter me perguntado o que as borboletas faziam naquele jardim, mas não me lembro de ter descoberto a resposta. A mágica daquele dia nunca nos abandonou e por vários momentos de nossas vidas lembramos saudosas do jardim das borboletas – assim o batizamos nosso secreto mundo de fantasias. Hoje meu mundo mudou as coisas se tornaram mais complexas e os problemas tomaram proporções gigantescas se comparadas aos de minha infância. Me pergunto novamente: O que fazem as borboletas no jardim? O que fazemos no mundo? Naquele dia as borboletas voavam ansiosas pareciam esperar algo que as completassem. Um caçador? Talvez. Mas eu arrisco dizer que esperavam admiradores que as conquistassem, que as fizessem acreditar que viver não é suficiente. E que alguma coisa a mais existe. Das outras vezes que passamos pelo nosso secreto Jardim das Borboletas não tinha mais borboletas e em pouco tempo também não tinha mais jardim. Felizmente ele já tinha sido construído em nosso castelo de sonhos e fantasias onde moram as bruxas, fadas e duendes presentes em nosso mundo infantil. Um castelo onde as borboletas ainda voam valsando a espera das fadas, nosso refúgio particular. Nosso elo secreto.

Tainã Alcântara


[Carol Machado]
ah Tai...que saudades viu!! aff... Esse dia foi perfeito cm mtos outros que passamos juntas, brincando e fantasiando! E era engraçado pq nos sentiamos donas de tudo, logo diziamos que era o nosso paraiso das borboletas..rs Era mto bom!! Daria td pra voltar e viver mto mais intesamente toda a minha infancia! Te amu mto tai e adooorei o texto! Fica uma saudade enooorme!

28/09/2006 22:47

RESPOSTA:
nosso paraíso!! verdade! sabia que tava faltando uma coisa! era o paraíso! agora não falta mais e nosso paraíso das borboletas está completo! lindo! Tenho saudade daquela época tbm! daquele dia principalmente! inesquecível! t amu loh

[Carol]
Primeiro quero dizer que a montagem ficou LINDA, ainda mais que teve meu auxílio moral!uhauhauhauhua Tipo o texto eh muito lindo, mais lindo ainda por saber que aconteceu de verdade, deixa tudo muito mais interessante! Sem querer que vc se sinta mais doque vc ja se sente mas eu adoro o jeito como vc escreve, eh muito difícil ler algo seu que seja entediante e que naum der vontade de terminar, esse texto mesmo eh um exemplo disso e os dois de baixo também, a pessoa fica ansiosa pela próxima palavra, e isso eh muito massa!:)

[Caio Tiago]
Teus problemas não cresceram, apenas você cresceu e mudou a forma de encarar o mundo. Talvez o que esteja faltando para você ver mais borboletas ao teu redor é justamente curtir a tua vida e buscar esse algo a mais. Talvez você precise apenas olhar mais no espelho ou ao teu redor =). Ah... você escreve muitíssimo bem.


[Thiale Moura] [thialemoura@gmail.com]
Tai, belas lembranças, lindas hitórias:D


[ainda Gloria ] [gogodapaz@bol.com]
As borboletas Tainã, simplesmente vivem....

[Anne Barreto]
Tai, lindo texto...engraçado que de tanto vcs falarem disso já viajo junto com vcs...Consegui imaginar vcs nesse jardim! Muito lindo td isso!! A magia da infância é realmente maravilhosa... Parabéns pelo texto, e pelas amigas que tem!! Bjo grande!

Essências da menina de fita no cabelo... Das meninas, aliás!


3 de jun de 2008

"Absolutamente Admirável"



Sempre admirei o trabalho de Chico Buarque, um mestre nas letras e nas melodias. Ouço muito suas músicas e mesmo as que não são de minha preferência , curto decifra-las (tento) e fico boquiaberta com a capacidade singular com a qual Chico junta as palavras.

Seus Romances, nunca tinha lido. Eles causavam em mim, já de antemão, um misto de ansiedade, curiosidade e medo. Me sentia ansiosa por ter nas mãos várias páginas nas quais, com certeza, cada informação seria colocada no lugar exato para que proporcionasse a interpretação mais adequada, onde os fatos seriam contados de forma tal que nenhum outro autor seria capaz de faze-lo. Curiosa para mergulhar num mundo novo e notável, viajando a cada letra. Mas sentia medo de não ser capaz de entender uma só linha do que tinha sido escrito em quase duzentas páginas pelo mesmo Chico do qual me julgava conhecedora de algumas canções, temia que esse meu “não-entendimento” terminasse por me afastar daquele que é o meu favorito dos escritores.

Por fim, respirei fundo e peguei emprestado, com meu padrinho [que, assim como eu (ou mais, possivelmente) é grande fã de Chico], o mais recente de seus romances, Budapeste, 2ª Edição e 2ª reimpressão, que traz a capa mostarda com letras pretas e brancas, publicado no ano de 2003 pela Companhia das Letras.

Demorei-me, um pouco, nos comentários expostos na orelha do livro, destes o que me chamou mais a atenção foi o de Caetano Velozo que dizia ser o livro de Chico “um labirinto de espelhos que afinal se resolve, não na trama, mas nas palavras, como os poemas”, não imaginava o que ele queria dizer, mas me perguntei como um labirinto de idéias poderia se solucionar nas palavras e não na trama, “como os poemas”...

Sei que para escrever um poema o autor goza de um privilégio chamado ‘licença poética’. Segundo esse o poeta pode escrever da maneira que imaginar ser a melhor, sem se prender a regras gramaticais, literárias ou de construção textual. Supus que seria um livro recheado de mistérios poéticos e me apressei para começar a leitura efetivamente: “Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira” (Buarque, 2003: pg. 5).

Vivi a história de José Costa por menos de 24hs. Um livro inusitado, que prende a atenção até a ultima linha. Uma história desconstruida e reconstruída várias vezes que nos apresenta um pouco da magia da “única língua do mundo que, segundo as más línguas, o diabo respeita” (Buarque, 2003: pq. 6) e da nossa também (Guanabara, Adstringência, Copacabana...). A história anônima de um homem incomum, como nós todos somos.

Agora eu poderia entender as palavras de Caetano, a grandeza do livro de Chico não estava em seu final feliz, muito menos nas passagens reais. Estava na imaginação do eu-lírico de uma prosa que se resolve nas palavras, não precisava estar tudo bem, bastava ele dizer que assim era, como acontece nos poemas. Chico deixa com esse livro um questionamento de até onde vai a separação de prosa e poesia, se é que ela existe de fato.

Chico, em Budapeste, não me decepcionou (e jamais poderia), ao contrário, fiquei ainda mais encantada com a forma intensa e simples que escreve suas histórias. Uma dica minha de leitura para quem gosta de escrita direta e histórias intrigantes. Um livro de uma vida “absolutamente admirável”.

Tainã Alcântara




Comentários:


[Caio Tiago]
Tai, até mesmo pra resenhar teus textos encantam. Deu até vontade de ler ;). Leia "A Ópera do Malandro", aquilo que é Chico (é uma peça teatral).

12/01/2007 00:02

RESPOSTA:
depois dessa experiencia com budapeste, eu quero mais eh chico! vou ler sim!! bjus


[Thiale Moura]
Chico eh perfeito em tudo

12/01/2007 00:32

RESPOSTA:
concordamos nisso plenamente!


[carol ]
Se eu ja queria ler agora quero mais ainda. Me da de natal ai vai vai vai pleaseee!! bj

12/01/2007 00:40

RESPOSTA:
eu nem tenho... s for comprar eh pra mim! lógico!! kkkkkkkkkkkkkkkkk


[Waldísio Araujo]
. Linda Tainã, Para mim, esse livro de Chico é uma das mais belas obras da história da literatura brasileira de todos os tempos. A forma como ele explora as dualidades que parecem povoar o mundo (Buda/peste é uma cidade dupla, como um dia talvez o será Jua/lina), o eu (Jose Costa / Chico Buarque) e o conhecimento (Ficção / Realidade) é magistral e só não encanta a críticos insensíveis ou sem cultura geral mesmo. Está em jogo no livro um problema filosófico que não conseguimos responder: estamos nós, irremediavelmente, entre a ignorância e a sabedoria, entre o amor e o ódio, entre a vida e a morte? Ou essas dualidades não existem no mundo, mas apenas em nossos cérebros? E o artista, que se coloca entre o verdadeiro e o falso, não seria o melhor juiz disso tudo? Chico Buarque, o escritor, é o homem certo para dizê-lo, ele que sempre esteve entre o pobre e o rico, o erudito e o popular, o homem e a mulher. Leiamo-lo, então. Beijos. .





Talvez a minha preferida das Essências da Menina de Fita no Cabelo!



1 de jun de 2008

Reflexo

Picasso

Em cada um, sou uma
diferente
dependendo da luz
da vista
da mágica
do lápis
do baton
do cabelo
revelando-me
retocando-me
Em nenhum deles me reconheço
Só me surpreendo
Bonita.

Tainã Alcântara

A Mais Bonita
Chico Buarque

Não, solidão, hoje não quero me retocar
Nesse salão de tristeza onde as outras penteiam mágoas
Deixo que as águas invadam meu rosto
Gosto de me ver chorar
Finjo que estão me vendo
Eu preciso me mostrar

Bonita
Pra que os olhos do meu bem
Não olhem mais ninguém
Quando eu me revelar
Da forma mais bonita
Pra saber como levar todos
Os desejos que ele tem
Ao me ver passar
Bonita
Hoje eu arrasei
Na casa de espelhos
Espalho os meus rostos
E finjo que finjo que finjo
Que não sei