18 de mai de 2012

Incomodada


"Prefiro a solidão e incerteza da audácia
do que o silêncio coletivo e acomodado da indiferença"

Tainã Alcântara

19 de nov de 2011

Cegos do Castelo


Eu não quero mais mentir
Usar espinhos
Que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno
Que me atraiu
Dos cegos do castelo
Me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, um lugar
E pro que eu sou
Eu não quero mais dormir
De olhos abertos
Me esquenta o sol
Eu não espero que um revólver
Venha explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino do azar
Que restou...
E se você puder me olhar
Se você quiser me achar
E se você trouxer o seu lar...
Eu vou cuidar
Eu cuidarei dele
Eu vou cuidar
Do seu jardim...
Eu vou cuidar
Eu cuidarei muito bem dele
Eu vou cuidar
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar
E de você e de mim...

25 de ago de 2011

Parece veneno



Não possuo nenhum encanto
Capaz de resistir a rotina
Eu morro de amores, e tantos
Ser intenso é minha sina

"Parece veneno" mas é só minha face real
"Parece sereno" Mas é só o que sobrou do final

Não tenho duvidas de que isso irá passar
E no final nada disso terá sentido
mas agora só consigo lamentar (em rimas fracas)
por mais uma vez ter sido tão previsivel!

Vou me repetindo nos meus erros
não poderia ser mais patético
só superado pela minha crendice
de que é possível ter um amor crédulo

Pouca coisa doi mais que um fim
um fim hipotético
sem começo, sem meio
só o fim e nada mais

Tainã Alcântara


Grito Piano
Perece veneno, mas é só o amor no final
Um gesto pequeno, tentando curar todo o mal
Não é bem, não é dom, falar de você noutro tom
Me faz mal não te ter, calado eu não vou viver

Vai! Não olha pra trás, se o que eu estou vivendo é demais
pra você, então me deixa em paz
Vai! Me deixa viver, não diz o que devo fazer
Vou gritar até não mais poder

Parece sereno, mas a ira escondida é gigante
Um grito piano, potente e estonteante
Me deixou demente, perdi o que era importante
Pra você meu viver, tratava-se de enlouquecer

Vai! Me deixa gritar, meu grito ainda vai te provar
Que sou eu, com quem deves sempre estar
Vai! Gritar é tão bom, eu te levarei ao meu tom
Abre tua mente e vem gritar.


Wadson Filho

18 de ago de 2011

Tudo que sei fala de amor



E quando eu parei de me preocupar
Consegui entender perfeitamente
tudo o que se passa em mim
E Carlinhos Brown já sabia!

*Ouvindo CD Diminuto

9 de ago de 2011

Incondicional


A impressão de, enfim, as coisas terem se encaixado,
mesmo sem conseguir achar uma musica que fale por mim
com tudo o que escreveram sobre amor parecendo futil
banal, cliche. Tudo parece pouco.
Não consigo por em palavras, nem minhas, nem de outrem
As palavras são sempre as mesmas
E isso é completamente novo, inesperado 
Um amor puro, de pele, simples, que arde, que doi...
São apenas sombras, meros enfeites
Apenas detalhes desse amor apaixonadamente incondicional
Que não tem a menor pretensão, nem escolha, de acontecer.

23 de jul de 2011

Back to Black

Em Luto.
Por Amy.
E pelo sentimento que vai morrendo em mim
Um pouquinho a cada dia
E que ela conheceu também
E segue explicito na musica:




He left no time to regret
Kept his dick wet with his same old safe bet
Me and my head high
And my tears dry, get on without my guy
You went back to what you knew
So far removed from all that we went through
And I tread a troubled track
My odds are stacked, I'll go back to black

We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to
I go back to us

I love you much
It's not enough, you love blow and I love puff
And life is like a pipe
And I'm a tiny penny rolling up the walls inside

We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to
We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to

Amy WineHouse

20 de jul de 2011

Cruel



Nada poderia ser mais verdadeiro
Do que o medo que senti


Nada é tão cruel. 
Quanto o risco de ter este brilho apagado.


Preciso daquele sorriso de volta.
Intacto.


Tainã Alcântara





"Que tudo é desse mundo, Surpresa também
Espinho é bem mais fundo, Destino também

O amor tá quase mudo, Minha voz também
Cruel é isso tudo"

Luiz Melodia

6 de jul de 2011

In English

Now I know.
Nothing will make me forget you.
So .. I accepted.
Even in another language

16 de jun de 2011

O São João de Bonfim - Por Jairo Sá

GALINHOU, PUYEHUE!! SÓ TINHA ESSA!!!

“Praias, paixões fevereiras, não viram o que junhos de fumaça e frio.”
Caetano Veloso in “Jenipapo Absoluto”


O primeiro São João em Bonfim a gente nunca esquece. O meu foi em 1986 e, de lá para cá, jamais perdi um. Este será o vigésimo sexto.

E olhe que tinha tudo para dar errado. Na tarde daquele 23 de junho o escrete brasileiro, no México, palco da conquista do Tri em 1970, iniciou a promissora carreira de freguês da França. Entretanto, ao contrário de 1988 e 2006, nós merecíamos a vitória. Num jogo em que o personagem criado pelo dramaturgo tricolor Nelson Rodrigues, o Sobrenatural de Almeida (ou melhor, Monsieur Surnaturel du Lefévre) fez de tudo em campo, fomos eliminados nos pênaltis.

Naquele finalzinho de tarde a animação junina esmaeceu-se em todo o Nordeste brasileiro, menos em Bonfim. Ao cair da noite de São João, maravilhado, num cenário espetacular, eu tive todos os meus sentidos aguçados.  Num átimo, a cidade se iluminou e a temperatura elevou-se com o incender das fogueiras.

O som do arrojo das espadas, que já conhecia de Cruz dos Almas, adquiriu, naquele contexto, um significado totalmente diferente, mágico. E inesquecível. Tudo aquilo acontecendo sob uma estonteante lua cheia a boiar no céu, “imensa e amarela”. Aquela noite me deu a certeza de que a vibração do São João bonfinense é mais que um patrimônio imaterial de um povo. É material mesmo: a alegria é densa, palpável, tangível, dá pra “pegar com a mão”.

À época, já se iam longe as noites de São João de minha infância e o Carnaval. Ah! o Carnaval!! Já não era mais a festa da confraternização, criatividade e espontaneidade do interior. Também a Praça do Poeta deixara de ser o palco do frevo de novos e velhos baianos. Os babantes decibéis de imbecis Béis de bargantes barbas já explodiam na Avenida privatizada.

Por tudo dito até agora, jamais entendi o excêntrico costume de alguns bonfinenses nativos de, em pleno São João , partirem para o exílio em outras terras, outros ares.

Mas a Maria José Guirra, neste ano, abusou. Cismou de passar o São João na Argentina.  Na mesa, vinho em vez de licor, no salão, também esfumaçado, os acordes de um tango substituem o forró. Ao invés da sanfona do Cicinho, o bandoneón do Piazzola. Nada de bode na brasa, só boi nos ares. Sai Neymar entra Messi.

Mas, tanta heresia, não havia de ser impunemente. Maria se esqueceu que São João também é Xangô Menino, o orixá da Justiça e o senhor do fogo, da pedra. E vulcão o que é, senão fogo e pedra? Pois bem, com sua espada de guerreiro, Xangô acendeu o adormecido Vulcão Puyehue, na fronteira do Chile com a Argentina.

Inativo desde 1960, o vulcão, com sua forma cônica tal qual o Monte Tabor, escureceu todo o Cone Sul. Primeiro foram “fagulhas, pontas de agulhas”. Depois os gases, as cinzas e a chuva de areia. O fato é que os céus da Argentina, neste São João, não estão para Brigadeiro. Estão mais para Cabo da Aeronáutica. Ou seja, vai ser complicado Maria voar para a terra de Borges, Maradona e Gardel.

Não aconselho a Maria recorrer à típica provocação dos espadeiros bonfinenses: “Galinhou, Prexéu!! Só tinha essa!!!” Neste 13 de junho de 2011, noite de Santo Antônio, aliás, também Xangô, só que adulto, acabo de saber que acenderam outro vulcão na Eritréia.

Tudo bem, fica no Hemisfério Norte. Mas todo cuidado é pouco: Zezé, para o bem do São João bonfinense, del pueblo argentino e da própria humanidade, desiste dessa viagem!!!

Jairo Sá
Salvador, 13 de junho de 2011.