21 de dez de 2007

Nos poupem de hipocrisia!

Texto publicado no blog Leituras e Opiniões, de Luis Favre

Reproduzo a seguir duas matérias do jornal O Globo. A primeira concerne o assassinato sob tortura de um jovem de 15 anos cometido por policias militares de São Paulo. O segundo artigo informa sobre o relatório da Comissão parlamentar sobre o caso da jovem menor estuprada num cárcere, onde ficou dias a fio na cela com 20 homens. Dois casos igualmente repugnantes, duas feridas profundas na alma de qualquer cidadão de bem. A democracia brasileira interpelada aos olhos do mundo.
Segundo o jornal O Globo, o relatório "poupa" a governadora do Pará de responsabilidade neste último caso da menor estuprada.
Me chamou atenção o verbo "poupa", pois no contexto ele é mais que uma simples constatação. Insinua O Globo que a governadora do Pará não é inocente e, por motivações outras, foi "poupada".
No caso do jovem assassinado por policiais no Estado de São Paulo, o jornal O Globo poupa o governador José Serra de qualquer relação com a ação dos policias sobre sua jurisdição. Ele nem é mencionado, não existe nem como informação tipo "o fato aconteceu no Estado tal governado por fulano de tal que imediatamente tomou todas as providencias do caso..."O Globo poupa, os jornais poupam. Quero deixar claro que utilizo o termo poupar no sentido que penso que o jornal, aliás a maioria dos jornais e não só O Globo, entendem: poupam porque encobrem e defendem e preservam e simpatizam e agem em favor do poupado. Aqui, neste assassinato de um jovem de 15 anos, indefeso e torturado até a morte por vários policiais numa dependência pública, nenhuma indignação. Noblat não fará enquete, ninguém pede explicações, nem demissões, nenhum articulista exige CPI ou Comissão parlamentar. Somos convocados por quase toda a mídia a POUPAR.
A explicação cabe em duas siglas: a governadora do Pará, Ana Julia, é do PT. José Serra, governador de São Paulo é do PSDB.
É assim de simples, diáfano e claro. Basta abrir os olhos é ler.

Luis Favre é integrante do PT<


Não preciso comentar esse texto!

Tainã Alcântara

13 de dez de 2007

Anita



É! Ela ainda queria sair dali. Talvez todas aquelas coisas a influenciassem demais. Tudo naquela cidade cheirava à raiva que ela tinha de estar naquelas "férias" forçadas no meio do mundo. Nada para fazer... nada diferente para ver. Fugia. Fugia sempre. Não era difícil encontrá-la na frente do computador, assistindo um filme, ou mergulhada em seus cadernos. Era isso que gostava mais. Mas não conseguia mais escrever. Parecia que o tédio e a revolta tinham sugado todo o potencial criativo dela. Definitivamente precisava sair dali. E tinha que ser rápido.
Planejara viajar no fim de semana, mas seu chefe não a liberou do trabalho, e toda previsão ainda parecia incerta. A atmosfera não favorecia devaneios conscientes, nem inconscientes. Suas histórias, suas personagens, seus sonhos, suas meninas. Todos estavam abandonados graças a essa exclusão involuntária do mundo. A unica inspiração que lhe sobrava era ela mesma. Num vestido verde musgo, sentada com as duas pernas sobre a cadeira, escrevendo coisas sobre ela mesma, num caderninho com cheiro de chocolate (e como gostava de chocalate). Sobre como gostava quando seu vizinho comprava eletrodomesticos que vinham empacotados naqueles sacos com bolhinhas de ar (ele sempre dava a ela, e ela adorava estourar). Sobre como construira imensos castelos de areia na infância. E Sobre as tempestades, como as temia e adorava ao mesmo tempo. Escrevia sobre si mesma. Numa ferocidade violenta, buscando desvendar aonde estava, e aonde tinha se perdido.
Não deveria estar ali, sabia disso, mas mesmo assim lhe parecia preciso. Talvez tenha algo haver com sua essência. A essência. Por tanto tempo ela procurou, muito, descontroladamente. Não. Não achou ainda. Mas parecia estar mais perto dessa vez. Só tinha certeza de uma coisa, àquela altura: Estava tudo Perto Demais.
"- Como é se enxergar através do espelho? Sua verdadeira alma fica lá, trancada no mundo refletido, enquanto uma outra parte de você se encarrega de sua vida. É perto demais. É como se reconhecer nos olhos de outra pessoa. É como se desvendassem todos os seus segredos e não tivesse mais aonde se esconder."
Perto demais. Essencialmente. É isso. Mas ela não sabe como resolver. É. Ela ainda queria sair dali (sabia disso). Definitivamente tinha que sair dali. E precisava ser rápido.


Tainã Alcântara


26 de nov de 2007

Chuva em mim




Hoje minhas emoções condensaram-se
em nuvens assustadoras de lembranças
A frente fria de acontecimentos dessa semana
deve deixar o tempo nublado em grande parte de mim

Eu hoje me percebi tão só
entre trovões e relampagos do passado
Minha vida me passou
E me senti deixada pra trás

Hoje chove em mim.

Tainã Alcântara

22 de nov de 2007

Classificados




Procura-se uma cara-metade.
Descartam-se metades caras
.


Jairo Luiz Sá



E eu só queria estar ali,
esperando a madrugada acabar
embalada em seus braços.


Tainã Alcântara


Acho que dispensa explicações, Jairo Sá é meu padrinho!

20 de nov de 2007

Será?




O que faço contigo?
Nunca quis tanto alguém
e nunca foi tão proibido...
Será que é por isso?


Tainã Alcântara

13 de nov de 2007

Dona Moça


Se quiser me ver
Não me procure numa caixa
Eu não fiquei para trás

Se quiser ouvir minha voz
Não me telefone
Os números que conhecias, já não tenho mais

Se quiser lembrar de mim
Não vasculhe seu passado
Não estou em sua memória temporal

Habito teus pensamentos reais
E teus desejos mais reclusos
Conheço cada nível de teu inconsciente

E é lá que, você querendo...
Ou não
Vou estar para sempre!



Tainã Alcântara

3 de nov de 2007

Inconformada




Assim eu gosto!
Agora não gosto mais...
Posso fazer o que?
A culpa não é minha
Se não consigo controlar esse meu impluso quase doentio de querer mudar as coisas.


Tainã Alcântara

2 de nov de 2007

Associação de Microcontadores de Histórias

Agora é oficial!!!
http://microcontadores.blogspot.com/

Conto Instântaneo - Carol Sá

"No altar a cruz caiu em sua cabeça. O casamento acabou!"

Carol Sá

1 de nov de 2007

Conto Instântaneo - Bela Almeida



Fotografia retirada do site Casa dos Poemas
(http://www.casadospoemas.com.br/ntc/default.asp?Cod=14)



"Tinha a faca e o queijo na mão. Mas faltava a goiabada!"




Bela Almeida

31 de out de 2007

Contos Instântaneos - Prontos em 3 minutos



"Era alguem. Gostava do real, mas não da realidade."

Tainã Alcântara


A Proposta é a seguinte: Comente este com um Conto Instântaneo, no máximo com 50 letras. Escolherei um comentário de cada post para o próximo Conto Instântaneo.
Blogs Participantes: Nua e Crua e Lady Desdém.

Ideia retirada do Projeto 'A casa das mil portas' (Abra uma nova porta)
Participem!! =D

Mouras Minhas




Amores meus

Minhas
Morenas e Loiras
Avós, mães, tias, irmãs, primas, filhas

Amigas

Amoras minhas

Rosas
Mulheres e Meninas
Doces, ciumentas, amáveis, complicadas, carinhosas, verdadeiras
Família

Mouras Rosas
Nossas

Lindas e sábias
Especiais. Cada uma a(com) seu jeito

Uma só


Tainã Moura Alcântara

28 de out de 2007

Mudanças

Enlouqueci!
Mudei, cabelo, roupa, quarto, blog
tudo!
depois desgostei
mudei tudo de novo!
nada parecia estar correto
desestruturei-me
Completamente
Nada parece dar certo
daqui de onde eu vejo as coisas acontecerem



Tainã Alcântara

22 de out de 2007

Psiu

No meio da noite
uma menina escuta um chamado
mas não era uma noite qualquer
era a ultima
a mais triste
a mais sombria.
Sozinha
Não era a primeira vez
tinha ouvido esse psiu ontem também
alguem a chama
Mas pra que?
Por que?
Sem sono
Sem consolo
sem vontade
Era uma noite
Era madrugada
Daqui a pouco, não será mais nada!



Tainã Alcântara

21 de out de 2007

Deuses do Tempo


O que são sonhos? Quem são estes seres que aparecem protegidos pela noite enquanto durmo, com rostos tão conhecidos e gestos tão familiares? Que querem me dizer as caricaturas que vejo das coisas que virão?

Com elas tento aprender a assistir meus dias correndo na frente do sol, os momentos quase esquecidos em meu futuro. Rios que transformo em braços de mar, desenhando a tela de minha vida. Recordo dos tons azuis e dos cinzas, dos vermelhos e amarelos; as cores que conservarei ou cobrirei, ora mais fortes e mais intensas, ora, simplesmente, mais eu.

Hoje acordei lembrando de como serão as noites de Junho e os dias de novembro, de como sentirei a tua falta nestes últimos. Consigo enxergar claramente nossa história desenrolando um novelo e transformando-o num entrelaçado de lã sem forma definida que seu significado pareceu confuso para mim. Sei tudo o que acontecerá – já sabia – só não sei no que nos servirá.

Agora não tem mais jeito: nossas linhas vitais já se misturaram e o desfecho será inevitável!

Durmo. Tento me consolar fazendo de conta que não acredito no que vejo. Busco outras alternativas, inserindo em mim memórias falsas de um futuro imprevisível, forçando-me a sonhar com incertezas e acasos. Mas aqueles seres voltam a aparecer, com as mesmas faces e feições já familiares me fazendo recair no futuro e voltar a ter certeza que só meu passado é desconhecido.

Almas mortais que habitam meus sonhos, e os fazem realidades, que realidade torta seria esta desenhada nos dias, meses e anos atrás de mim?

As noites de Junho: umas de céu aberto, outras nubladas, mas todas frias e aconchegantes. Cada uma única em seu jeito, do nosso jeito.

Que faço eu agora? As deixo intactas, mágicas, permanecendo no passado que terei em novembro? Ou... Não sei? Não há mais o que fazer!

Meu mundo agora gira em sentido negativo na contagem regressiva de minhas memórias futuras. Se quero? Ao menos espero! Até que sejam, e caiam na incerteza de meu passado, possibilitando aos meus anjos mortais a seleção do que mereça ou não acontecer.

Tainã Alcântara






Comentários do outro Blog:

[bruna lorena] [brunaloren2005@hotmail.com]
otimo..tão otimo q não tenho cementarios..usdruxilo...
19/07/2007 14:07

[Carol]
Assim, sonho já eh uma coisa muito louca eu tenho uns que pelo amor de deus... se bem que tu me supera legal!rs Mais o mais louco disso tudo é a porra das memórias futuras, naum naum pior ainda é a "amnésia" do passado, e mais louco que isso eh so qdo acontece com alguém de verdade, e não só num texto né Tai?!rs o texto ta lindu! bjus
25/04/2007 09:59

[Caio Tiago]
Uau =).



Esse texto foi escrito em abril e publicado no meu antigo blog. O Junho que o texto fala já é passado. Como eu gosto muito desse texto e achei tão condizente com minha vida de hoje, resolvi republicá-lo. Espero que tenham gostado.




16 de out de 2007

Distrái ou Destrói?

Nesses últimos dias venho me descobrindo grande fã de Mariana Aydar, nova cantora do estilo conhecido como MPB. Tenho ouvido bastante. Uma das músicas do seu primeiro, e único (por enquanto), CD chama-se Zé do Caroço. Nela tem um trexo que me deixou meio intrigada (letra completa aqui):

E na hora que a televisão brasileira
Distrái toda gente com a sua novela

Estava distraida na internet, ouvindo a música e tive a nitida impressão que ela tinha cantado Destrói, no lugar de distrái... Verifiquei na letra. Não existe a palavra destrói na música. Mesmo assim fiquei pensando: Nessa situação qual a diferença de destruir e distrair?
Se nossa Tv aberta é nada mais que um canal de manipulação descarada e escancarada?
Estamos precisando de novos líderes, como o Zé do Caroço do Morro do Pau da Bandeira.


Tainã Alcântara

9 de out de 2007

Contradições


Como uma desilusão superada
Como um mistério desvendado
Como se dinheiro não valesse nada
Como se expressar, não fosse pecado

Como uma solidão acostumada
Como uma criança não curiosa
Como a vontade de querer mais nada
Como se azeitona fosse deliciosa

Assim é a falta que sinto
Da falta que sentia
Está bem melhor o dia
mas não parece a mesma coisa


Tainã Alcântara



Eu nunca te disse
Mas agora saiba
Nunca acaba
Nunca o nosso amor
Da cor do azeviche
Da jabuticaba
E da cor da luz do sol
Eu te amo
Vou dizer que eu te amo
Sim, eu te amo
Minha flor
Eu nunca te disse
Não tem onde caiba
Eu te amo
Sim, eu te amo
Serei pra sempre o teu cantor

Caetano Veloso

21 de set de 2007

Segredo





Ai, essa falta que sinto tua...
de tudo o que não vivemos
de todas as histórias que não podemos contar

Essa falta tua que sinto
Todos os dias
Quando fico parada, por qualquer motivo

Meu neguinho, por que não pude te chamar assim?
Como eu gostaria de conseguir dormir
Enquanto penso em nós dois!

Ai essa falta que sinto tua
Quando a noite passa
e me vejo sozinha

Te imagino aqui, perto de mim
daquele nosso jeito
Segredo!


Tainã Alcântara

15 de set de 2007

desCANSEI!!!!




Qual a importância do contexto? Na primeira parte do video o entrevistado não parecia muito interessado no contexto, só queria dizer que esta é uma prova que o Presidente Lula não conhecia nada do Brasil. Agora fica uma questão: O que as pessoas que se dizem integrantes do "Cansei" conhecem do Brasil, ou de como uma administração pública acontece? Este vídeo é, para mim, apenas uma prova que mais uma vez a massa ignorante que se acha esperta está se deixando levar pela opinião dos poderosos preocupados apenas com interesses pessoais.

Gostaria também de informar ao Sr. Presidente da Philips, que ignora os "encantos" piauienses, que estou cursando um curso de Arqueologia e Preservação Patrimonial no Piauí. E não é em Teresina, é em São Raimundo Nonato, sudeste do estado. Aqui, no lugar que se deixasse de existir não faria falta, foram levantados dados que colocam em xeque a teoria clássica da chegada do homo sapiens nas Américas. Quem sabe um dia pesquisadores cheguem à conclusão que alguns ditos "seres humanos" não passam de um grupo de macacos incapazes de raciocinar e pensar no que dizem.

Eu já desCANSEI!!


Tainã Alcântara

14 de set de 2007

Maçã Verde



Gosto de frascos pequenos

de dias amenos
e fortes venenos

Gosto de dispostos
de opostos,
descompostos


Gosto de tardes frias e noites quentes

Gosto de frutas verdes
Gosto de falas nuas
Gosto de verdades altas
Gosto de pessoas cruas

Gosto de distrações
Iludem, mas divertem
Enquanto espero a música acabar



Tainã Alcântara

29 de ago de 2007

Essencial


Todo dia é tempo
Todo samba é música
Todo choro, dói
Todo coro, cura

Toda calma, cansa
Toda agitação é muda
Toda flor, cheira
Toda noite, assusta

Tudo o que é seu, é meu
Tudo o que é meu, venere
Tudo o que é inútil, cancele
O que é essencial...
Espere!

Tainã Alcântara

"Como uma chama na selva
O sol na cama da relva
A tua bôca e a lua
A minha bôca e a tua
Vão deixando pela rua...
Palavras e silêncios
Que jamais se encontrarão"

Zeca Baleiro

23 de ago de 2007

Pensamentos Secretos


Pra começar, o primeiro encontro ideal é o de mãos. Aquele em que o simples toque leve se faz reconhecer quimicamente e pensamentos secretos, desejos contidos são revelados sem a formulação de qualquer palavra. No primeiro encontro de mãos nada mais parece ter importância, só o calor passado de uma pra outra, a textura, a temperatura. Cada dedo parece estar repleto de carga elétrica capaz de arrepiar até os céticos. As mãos demonstram o que as palavras não conseguem e contrário aos olhos não exprimem um amor platônico, mas um sentimento possível. Talvez eu esteja demasiada impressionada por esse momento de solidão maior do que não estar acompanhada pelo qual eu estou passando, ou dando importância demais a coisas triviais do dia-a-dia... A verdade é que um toque, da pessoa certa, a gente não esquece.


Tainã Alcântara

13 de ago de 2007

Porta Entreaberta

Fim de caso


Nós não somos culpados, não existem culpados.

Se houver que sejam os outros.

Crio histórias, fecho os olhos e as concretizo,

Você está bonita, bem vestida, exibida.

Não fala comigo... Seu sorriso é lindo, compartilhe comigo.

Porque me deixou ir? Insiste um pouco mais...

Nunca mais vou te deixar.

Melquisedeck Mendes

Fim de caso - Resposta

Se não existe culpa, não (me) condene.

Não existe motivo para isso

Muito menos aos outros, essa história é nossa

Já compartilhamos muitas coisas juntos

Mas esse sorriso que vê agora, não pertence a ti, ou teu mundo

Não te deixei ir! Você simplesmente foi

E ainda hoje é incapaz de ver o tanto que fiz pra ficar contigo

Nunca mais vou chorar, não por isso

Aprendi a ser feliz longe de você, sozinha.

Tainã Alcântara


Agora as Explicações:

Não tenho um caso com Melqui, nunca tive e isso não é uma declaração de nada. Ele fez um texto, eu gostei e respondi! Os textos são nossos mas os eu-líricos não somos nós. Entendam isso como uma relação literária.

Tainã

7 de ago de 2007

Perfume





Assim como um bom perfume
Sou composta de três notas

Essências fundamentais


A mais alta, a de saída

Encanta ou enlouquece
E se deixa ser sentida
Logo após ser colocado o perfume

É por esta nota
Que julgam me conhecer
Aqueles que nada sabem de perfumes
Aqueles que nada sabem de mim

O corpo, meu corpo

É a segunda essência
Longa... extensa

Minha


É o que identifica um perfume

E que dura a maior parte do dia

A maior parte da vida
E a maioria das pessoas conhecem
No perfume e em mim


A última essência é conhecida como a nota de fundo
É o que permanece misturado
Ao cheiro da pele da pessoa que usa
No final do dia

É como sou antes de dormir

E na hora de acordar
Essencial, pura, crua
A mais penetrante das notas

Eu

Apenas um cheiro
Transmissor de sensações
Um sentido
O mais humano deles

Essências



Tainã Alcântara