24 de mar de 2008

Eduardo

Foto de Adolfo Okuyama.

Seis e um. O tempo não passa. Fim de tarde, fim de semana. Chove. A água molha de leve os prédios atrás do meu e na minha frente o mar se agita para receber gotas d’água sem sal. Tudo parece normal, por que pra mim não? Da janela vejo pessoas sorrindo embaixo de seus guarda-chuvas e esperando o sinal ficar vermelho para atravessar a rua. Seis e dois. A cada segundo me sinto mais próximo da noite tão esperada por ela. Ela está tão feliz. Gosto de saber disso. Por que eu também não fico feliz? Era pra ser assim! Já estava tudo certo. Posso vê-la desfilando num vestido ao mesmo tempo simples, elegante e manhoso. Aqueles olhos quase amarelos brilhando... O que falta? O que há de errado comigo? Se a amo? Demais! E a cada segundo aumenta... (seis e três) ...meu desespero! Às sete horas tenho que estar pronto! Não falta muita coisa. Acho que vou tomar um drink, melhor não! Para o que vai acontecer terei que estar sóbrio! Seis e quatro. As luzes da cidade já estão acesas! O sol está quase todo escondido. O dia termina cinza! Um aviso? Talvez! O telefone toca, uma... duas... três... Alô? Não (que alívio)! Você deve ter ligado errado! Não tem problema! Tchau! Seis e meia! Agora já tá tudo escuro. Parou de chover. Um vento frio corre na cidade. Estou pronto e com medo! Não tenho como fugir! Talvez se eu não aparecesse. Se viajasse... Não! Não faria isso, não com ela. Vou ligar! Tum... tum... tum... Alô? Amor? Tá pronta? Tou saindo de casa! Daqui a pouco chego ai! É! Agora não tem mais jeito! Como foi bom ouvir a voz doce dela! Por que as coisas não podem ser simples? De longe já vejo o seu prédio. Agora está mais perto. Sete e um. Um minuto atrasado. Provavelmente ela estará pronta me esperando. Cheguei à portaria. Surpreendentemente ela não me esperava. Meu celular toca. Alô? Estou esperando o elevador, espera, já chegou! Oi! Ela estava no elevador com o celular na mão! Sorrindo. Linda! Os longos cabelos escuros soltos. Mas não usava um vestido, estava de jeans e camiseta! Estremeci! O medo voltava! Ela olhou nos meus olhos, me deu um beijo e saiu andando em direção à saída do prédio me levando pela mão. Falava, muito. Sempre! Hoje eu só concordava. Ela estava tão perto e pra mim tão longe! Inalcançável! O que faria desta noite tão especial? Entramos no carro. Ela colocou um CD de Chico Buarque e me disse para ir em direção ao leste. A cidade estava tranqüila, serena. Parecia ter combinado com ela. Não a deixe perceber. Não a deixe. Não a deixe. Não a deixe. Meu bem? Uma voz disse ao longe. Tá sim, está tudo bem! Desculpe, o que você dizia mesmo? Achei que iria levar uma bronca! Contrário a isso ela sorriu. Me pediu que parasse o carro. Antes de sairmos ela reforçou que aquela noite seria muito especial. Senti uma pontada de melancolia em sua voz. Mas, por que? O que pretendia com aquilo? Era um restaurante de comida japonesa – a nossa preferida. Descontraí. Nada poderia ser tão assustador com ela ao meu lado. Eu te amo! Não consigo dizer! Então, finalmente, ela me disse que fazia tempo que não se sentia tão feliz. Era notório! Por que não conseguia ser assim? Amo vê-la feliz! Ela disse também que sabia que comigo não era assim. Ficou séria, Triste, mas tranqüila. Com um novo sorriso forçado disse que achava melhor me dá um tempo para que eu descobrisse como poderia ser mais feliz. Meu sangue esfriou-se rapidamente. Ela me olhou com seus belos olhos marejados e um sorriso esperançoso. Me deu o melhor dos beijos, levantou-se e saiu. Paguei a conta rapidamente e corri atrás dela, não fui rápido o suficiente, ela entrava num táxi. Fitou-me e me jogou um beijo. Percebi o porque de toda a minha angustia. Iria perdê-la. Como não pude ver? Como deixei-a partir? Entrei no carro. Triste. Sozinho. Liguei o som, Chico ainda cantava... podia ouvir sua voz ao meu lado. Fui para casa. Não sei se telefonarei. Meu orgulho não deixaria. Às vinte e três e meia, deitado na cama, terminava o pior dia de minha vida. Deveria ter dito. Eu te amo.



Tava como comentário, mas achei melhor publicar a minha opinião aqui:

Ao contrário do que alguns possam pensar, Eduardo não é meu namorado nem alguem conhecido! É uma pessoa confusa. Retrato da maioria dos homens de hoje. Além de tudo é orgulhoso e egoista. Mas algo dentro dele não quer mais que seja assim. A partir de agora ele não é um, e sim dois! Ele sabe que será feliz assim! mas porque não luta por isso? Por que deixa que a mulher de sua vida escape? Por que prefere ficar triste e sozinho a dividir sua felicidade com outra pessoa? Por que o fato dela não estar de vestido o assustou tanto? Enfim. Pode parecer contraditório, mas não o entendo.

Comentários do Outro Blog:

[Saah]
Priimaa! Ah,tudo muito profundo pra mim ¬¬' mesmo que eu entendesse metade disso tudo,nao conseguiria comentar! Mas vaai,eu consegui entender o blog e achei onde comentaa! =D Tá lindo. Te amo. beeijo ;**

29/12/2006 01:22

RESPOSTA:
kkkkkkkkkkk
ameii seu comentário, apesar d vc n ter entendido nada de meu blog! rs brigada inha! te amo

[Carol]
Eduardo ta tão confuso e assustado qto ela, porém ela eh mais decidida que ele e por isso toma a iniciativa. So amor as vezes nao eh o suficiente para manter um casal junto, acho que eh o caso deles... Mas as vezes tb basta uma conversa sincera pra que o que o amor naum supri passar a ser o suficiente. Resumindo Eduardo eh um idiota, hipócrita, egoista e egocentrico como a maioria dos homens :D mas como algumas mulheres tb! Mas naum eh o caso dela... Em relação ao vestido PRETO(rsrsrs) acho que ele se assusta como em geral temos uma imagem que criamos da pessoa que amamos (mas que nem sempre eh a verdadeira)vai ver na cabeça dele ela SÓ poderia ir com um vestido, e na dela existiam outras opções, por mais que ela tenha a intenção de surpreender! E ele ficou tão apavorado porque qdo uma pessoa q gostamos age de uma forma diferente da que temos certeza que ela agira isso assusta bastante!

18/09/2006 11:15

RESPOSTA:
Etah carol, precisava falar de Júlia? rs mas tudo bem! será nosso proximo post!

[Bruno] [brunodosss@bol.com.br]
"Esse texto ta massa se eu podesse transcrever minhas idéias metade do que Tainã consegui e estivesse fazendo arquelogia teria era poludo pra jornalismo heheh" Escrito de uma maneira que prende o leitor da primeira a última linha o texto representa a mairoia dos homens(até mesmo os galinhas hahaha)e mostra como se transformam no momento em que descobrem sentimentos do amor por alguém, um misto de medo de amar e orgulho invadem-los e como no caso de Eduardo muitos deixam de ser felizes. Ao encontrar a tão sonhada pessoa e ao ve-la de jeans e não de vestido deixa-o com medo dela não está afim hora isto é mais uma neura dela proprio hora se ela não o quizesse não sairia com ele e ainda todas as atitudes dela monstravam que ela também estava afim o fato e´que Eduardo foi um fraco ao deixar uma oportunidade dessa passar nesse caso faço das palavras de guevara as minhas "quem luta pode perder mas quem desiste antes de tentar já perdeu" Abraços Tai

18/09/2006 00:21

RESPOSTA:
pois é
Primeiro, obrigada Bruno! Segundo, isso é retrato da forma pela qual nós somos criados. Num mundo completamente capitalista as pessoas são instigadas a competirem e mesmo quando encontram na vida algo bom que exigem doação só querem competir e não aceitam essa nova condição. "Que o seu afeto, me afetou é fato agora faça-me o favor" Teatro Mágico



[Caio Tiago] [caiotiago@gmail.com]
Eu penso que você entenda o Eduardo, o problema é justamente nem ele mesmo saber o que fazer. É um costume bem difundido apenas dar atenção às coisas após perdê-las, valorizar o que não se tem, deixando de lado as coisas que estejam ao alcance. Confiando na maturidade da garota, aquilo era o melhor a se fazer e até mesmo o Eduardo já sabia disso. Se ele não tinha capacidade de dizer "eu te amo", alguma coisa o fazia pensar que aquela relação já não valeria à pena. Pelo que a mulher falou ela ainda poderia querer algo da relação, que ele tomasse uma atitude. Mas calça jeans e camiseta... num restaurante japonês, à noite? Isso passa uma péssima impressão de que ela não quisesse estar lá. Aquilo era roupa de dar o fora na porta do elevador, não de um jantar romântico. Ela deve gostar dele e achar que ele seja um mané (o que parece ser mesmo). Qualquer coisa que aconteça a partir daí será o melhor pros dois. Estando juntos ou não, amadurecerão e levarão a vida pra frente. =*

17/09/2006 21:30

RESPOSTA:
talvez!
Acho que você tem razão caio! axo que eu entendo eduardo, não só isso, como eu tbm acredito que a maioria das mulheres entendam os seus (ou não) homens! O problema, acredito, seja na forma em que somos criados! o mundo capitalista exige pessoas competitivas, e nós endurecemos. A vida agora é um sacrifício! e ateh as coisas boas parecem problemas infindáveis!

[Taís]
Tai, você tinha razão sobre a alma masculina... é complexa e fascinante. E tanto ela quanto a nossa (que é um buraco negro!), não pode ser decisfrada, no entanto podemos observa-la, admira-la, deliciando-se a cada nova revelação. Eis um dos pequeno e intermináveis prazeres da relação à doi, à três.. Beijos mocinha

17/09/2006 20:41

RESPOSTA:
São opostos né Tai? se completam! "Os opostos se distraem Os expostos se atraem" Teatro Mágico

[Adolf.]
Homem é um bicho tonto mesmo!! o.o é... mais achei lindão esse template!!! e o totó melancolico tbm... xD

[Pedro_Dias]
n sei responder isso ai n... hehehe... +parabens ´pelo blog!!! bjaum!!

[Romulo] [www.canudosvip.com.br]
oiiiii, paraben pelo teu blog, norsa est d + mesmo parabenz tah hehehehe

[Vanzinho Segundo]
E ai menina, tá massa teu blog!!! Bjão pra tu!!!

2 comentários:

Tulio disse...

Às vezes é preciso um estalo íntimo, dentro da pessoa ( no caso, o Eduardo ).

O estalo pode vir do nada, pode vir com uma paixão, ou com cem anos de solidão... Mas quando vier, ele abre mão do orgulho e luta um pouco mais pelo que faz bem pra ele de verdade =)

Alguns problemas, infelizmente, não têm solução fora. A gente tem que simplesmente esperar que a própria pessoa se cure.
(Pelo menos eu acho..)

Bjo, Tai!

Caio Tiago disse...

http://www.blueblanket.net/Steph/Make/Visual/Perfect/index.html